terça-feira, novembro 27, 2007
Alma
Não ia ser difícil imaginar a coreografia para o concurso! A obra musical tinha sido indicada pelo juri, Summertime, de Gershwyn. Mas a si parecia-lhe que a escolha fora sua! Adorava esta canção da ópera "Porgy and Bess" e como sempre fazia, dançaria em casa, cem, mil, um milhão de vezes até ter dentro de si os gestos e os passos! Como se o compositor tivesse escrito esta obra a pensar nos seus passos. Seria nostálgica, chorada, e ao mesmo tempo sensual e poderosa! Queria tanto ganhar aquele prémio!
Depois das aulas, correu porta fora, esbaforida, ao encontro do seu querido António. Ele acreditava na sua garra e no seu talento. Por isso lá estava todos os dias esperando para a levar no seu carro. Assim, conseguia ganhar uma hora de ensaios. Este ultimo mês, pensou, a sua vida levara uma volta completa e estava muito orgulhosa de tudo o que já tinha conseguido! Entrou no carro com os ganchos na boca, agarrando o cabelo para fazer um rabo de cavalo. Mastigou um «Olá, estou um bocado atrasada, desculpa» e recebeu um olá do António que a beijou levemente «Aonde vais hoje?» «À biblioteca municipal, sabes onde é? » disse ela «Tenho de ir procurar mais alguns dados sobre a ópera, quero mais informação sobre a época» e alegremente enroscou-se ao pescoço dele rematando «És mesmo um querido! Não sei o que faria sem ti!» «Ok, ok, vá larga-me se não nem arranco daqui!» respondeu o António, rindo.
E lá foram. Quando chegaram, saíu do carro intempestivamente, correndo para a porta do edifício. E não viu o autocarro.
Não percebeu quando o tempo passou. Ou se o tempo parou. Ou quanto da sua vida mudou. Não morreu mas para ali ficou. A mais nada nem ninguém Alma ligou. Só dentro de si permaneceu atenta. Aos sons. E ninguém percebeu isso. Até que um dia o António se lembrou. Talvez a música... Talvez...
«Su-mmer-tiiiiiiiime, when the weather is eaaaaaassyyyyyy» tocou o MP3 no seu ouvido e Alma acordou e sorriu.
Então docemente, o António, disse-lhe «Dança Alma! Estou à tua espera!»
Depois das aulas, correu porta fora, esbaforida, ao encontro do seu querido António. Ele acreditava na sua garra e no seu talento. Por isso lá estava todos os dias esperando para a levar no seu carro. Assim, conseguia ganhar uma hora de ensaios. Este ultimo mês, pensou, a sua vida levara uma volta completa e estava muito orgulhosa de tudo o que já tinha conseguido! Entrou no carro com os ganchos na boca, agarrando o cabelo para fazer um rabo de cavalo. Mastigou um «Olá, estou um bocado atrasada, desculpa» e recebeu um olá do António que a beijou levemente «Aonde vais hoje?» «À biblioteca municipal, sabes onde é? » disse ela «Tenho de ir procurar mais alguns dados sobre a ópera, quero mais informação sobre a época» e alegremente enroscou-se ao pescoço dele rematando «És mesmo um querido! Não sei o que faria sem ti!» «Ok, ok, vá larga-me se não nem arranco daqui!» respondeu o António, rindo.
E lá foram. Quando chegaram, saíu do carro intempestivamente, correndo para a porta do edifício. E não viu o autocarro.
Não percebeu quando o tempo passou. Ou se o tempo parou. Ou quanto da sua vida mudou. Não morreu mas para ali ficou. A mais nada nem ninguém Alma ligou. Só dentro de si permaneceu atenta. Aos sons. E ninguém percebeu isso. Até que um dia o António se lembrou. Talvez a música... Talvez...
«Su-mmer-tiiiiiiiime, when the weather is eaaaaaassyyyyyy» tocou o MP3 no seu ouvido e Alma acordou e sorriu.
Então docemente, o António, disse-lhe «Dança Alma! Estou à tua espera!»
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